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quinta-feira, 8 de abril de 2010

O poder da imprensa

Gerson N. L. Schulz




O que a imprensa tem que ver com a filosofia? Muita coisa, principalmente o fato de divulgar o pensamento laico. Segundo o site da Associação Nacional de Jornais (ANJ), a "Acta Diurna", surgida em 59 a.C. em Roma é o mais antigo jornal do mundo e foi criado por César para divulgar os atos de seu governo. As notícias eram escritas em grandes placas brancas e expostas em lugares públicos bastante populares, tais como as salas de banho e os mercados. As "Acta" mantinham os cidadãos informados sobre escândalos no governo, campanhas militares, julgamentos e execuções. Também na China do século VIII (em 713) surgiram os primeiros jornais de Beijing escritos à mão. lá também inventou-se (em 1040) os blocos móveis de madeira que na Europa de 1447 Gutenberg iria aperfeiçoar para os tipos de chumbo (reutilizáveis) causando a "revolução" da leitura e da escrita no mundo Ocidental e difundindo o conhecimento até então sob a égide da igreja Católica Romana.

Uma rápida história da imprensa mostra que em 1501 o Papa Alexandre VI decretou que qualquer impresso deveria ser censurado pelas autoridades do clero e quem cometesse heresias ao escrever publicamente seria punido. Algo que foi definitivamente ineficaz durante o período dos filósofos iluministas na França com a publicação da Enciclopédia (periódico) que causou, definitivamente, a laicização do pensamento Ocidental e o triunfo da "palavra livre" do obscurantismo sectário da religião dogmática e dos governos tirânicos.

Segundo a "World Association of Newspaper", por volta de 1556 o governo de Veneza (Itália) publicou o "Notizie scritte", pelo qual os leitores pagavam com uma pequena moeda conhecida como "gazetta", desde então muitos foram os jornais que adotaram esse nome como título oficial.

Mas foi somente em 1812 que os jornais ganharam um cunho fortemente industrial tanto quanto as grandes empresas manufatureiras, quando na Inglaterra Friedrich Koenig inventou a prensa de cilindros a vapor que imprimia 1100 folhas por hora. Nos anos 1960 popularizou-se a impressão em offset e mundialmente o jornal se tornou amplamente comercial como mais um instrumento industrial para a divulgação de idéias, conforme apontam os estudos do filósofo Teodor Adorno em sua "Indústria Cultural e Sociedade".

Enfim, assim como a filosofia a imprensa trabalha com idéias e fatos e ao longo de sua história ela cobriu de guerras a olimpíadas, criou celebridades e derrubou ou ergueu governos.